terça-feira, 24 de junho de 2008

Pequenos Casos da Vida Empresarial: 002/2008

Tipo: Real
Elaborado Por: Mauro Cesar Leite de Oliveira
Data: 06/2008

Situação

Em 1992 eu era Chefe de Linha de Produção de uma fábrica de cosmético. Dentro da minha equipe de Produção trabalhava o João (nome fictício) que era Auxiliar de Produção, mas que tinha grandes expectativas de evolução profissional. Ele queria ser Operador de Máquina e depois Mecânico, além disso, depois do trabalho na fábrica ele ainda trabalhava numa marcenaria para compor a sua renda.

Para compor o cenário, uma das grandes motivações de vida dele era de viver bem com a esposa, na qual ele se colocava como apaixonado por ela e a via como grande companheira. Num dia que ele voltou mais cedo para casa com o intuito de fazer uma surpresa para esposa (queria comprar a geladeira que ela tanto pediu) e a flagrou em adultério na casa deles.

No dia seguinte ele veio conversar comigo sobre o assunto e eu abonei as suas faltas o tempo que fosse necessário para que ele se recuperasse e conversei o fato com a Assistente Social da empresa informando que mesmo ele sendo aparentemente capaz de superar vários problemas achava que esse seria muito mais difícil, pois ele adorava a esposa. Ela fez somente o registro, mas não tomou nenhuma ação de apoio.

Passado +/- 2 semanas ele apareceu na empresa com a esposa que o amparava, estava completamente abobalhado (não sei bem o termo certo para aquela situação) e não se locomovia bem, pois tinha sofrido um derrame cerebral. Cinco meses depois ele morreu.

Apuração

Depois do fato ocorrido apurei que a Assistente Social não tinha feito nenhuma ação de contato e apoio, os dados de contato dele estavam incompletos e desatualizados na sua ficha e ainda vi que não tínhamos disponível nenhum serviço de apoio especializado para essas situações.

Reflexão

01) Se você fosse amigo de trabalho dele o que poderia ter feito para ajudá-lo?
02) Quais ações as empresas podem fazer de forma preventiva para amenizar problemas como esse?
03) No caso de uma empresa de médio porte, com uma Assistente Social interna, caberia a ela alguma ação de apoio? Quais?

Comentários do Mauro

Imediatamente após os fatos ocorridos percebi que deveria manter todos os registros de contato muito bem atualizados das pessoas que trabalham comigo, vi também até que ponto os aspectos emocionais podem levar as pessoas a situações de desespero e de angústia e passei a dar mais valor a isso.

Depois que fui promovido para Assessor do Presidente forcei muito a situação para incluir um Plano de Saúde diferenciado que tivesse apoio psicológico... foi muito bom para todos.
Acredito que a capacitação das pessoas em posição de chefia deveria ser muito mais desenvolvida na área humana.... não sei bem quais pontos de aprendizado devem ser trilhados nesse caso, mas certamente temos deficiência.

Nenhum comentário: